Desde 1984
Sheila Malta
28 de Abril de 2022
Psicofobia: já ouviu falar a respeito?
Em termos de etimologia, a Psicofobia, enquanto palavra, pode ser compreendida como: “Psico”, mente, e “fobia”, medo. Ou seja, um “medo exagerado da mente” e se traduz como o preconceito direcionado às pessoas que possuem um transtorno ou deficiência de ordem mental. Esse conceito já vem sendo trabalhado há cerca de dez anos em âmbito clínico, pela Associação Brasileira de Psiquiatria, e igualmente pela Psicologia.

Em nível jurídico, a Lei 236/12, criada pelo senador Paulo Davim, prevê como crime o abuso ou desrespeito contra transtornados ou deficientes mentais. Também foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos, em maio de 2014, a PLS 74/14, para o crime ser enquadrado no Código Penal como injúria, e prevê pena de 2 a 4 anos a quem praticar psicofobia. Ainda há a PL 2071/19, que cria o Programa Nacional de Combate a Psicofobia. A matéria se encontra em apreciação das comissões da Câmara dos Deputados e tem como base os artigos 6 e 7 da Constituição Federal, para a garantia de bem estar às pessoas com condições patológicas diversas.

No Brasil e em alguns municípios, agora também em João Monlevade, através do projeto de lei 2395/21, o marco histórico é o dia 12 de abril. A data é dedicada ao enfrentamento desta realidade que tanto causa sofrimento a quem possui tais comorbidades.

Para tanto, entre os dias 8 e 12 deste mês, o grupo Psicofobiaaquinão!, com a contribuição de apoiadores e patrocinadores, desenvolveu uma série de atividades de cunho artístico e cultural para a conscientização. A iniciativa serviu para amadurecer a ideia de que essa situação merece total atenção.

Tal qual todos os preconceitos existentes, a Psicofobia tem seus reflexos em todos os segmentos e em todas as camadas e classes representativas, tendo ligação com vários vieses: existe dentro do racismo, da homofobia, e por aí vai... Sejam brancos, negros, heteros, população LGBTQIA+, enfim, muitos sofreram e sofrem por ter de conviver com seus traumas e fobias. Ainda mais com a taxação de terceiros, através de piadas ou mesmo expressões pejorativas relacionadas à sua condição mental.

Infelizmente, a falta de políticas públicas mais eficientes, voltadas à saúde mental, auxiliam a dificuldade de combate mais ostensivo e imediato a este problema de ordem social. Ele assola o mundo inteiro, em especial, os países de “terceiro mundo” como o nosso, onde a cultura de respeito ao outro ainda tem muito a evoluir.

A cada 40 minutos, uma pessoa se suicida neste mundo onde a vaidade e a imagem, em especial, em redes sociais, conta para muitos como um diferencial de popularidade... A grande maioria de nós, não faz uso de nossas redes de forma adequada. Muitas vezes, vivemos “o virtual” como se fosse real, “vendendo uma falsa impressão de equilíbrio”.

Hoje, onde se vive mais o ter, que o ser, a essência tem sido deixada de lado e a saúde mental vista como prioridade apenas quando se chega a extremos... A propósito, em termos de nomenclatura, você observou que não utilizei em momento algum, a palavra portador? Pois é. Aprendizado adquirido durante a Semana Municipal de Psicofobia. Nos debates, profissionais da área de Educação Inclusiva e Psicologia, demonstraram que, neste contexto, esta expressão tem mais condão de exclusão do que inclusão. Que sejamos todos pois, “portadores” de mais informações sobre o tema. A Psicofobia mata! A sua ignorância acerca do assunto também... Porque psicofobia, aqui não! Acompanhe nossas ações e junte-se a nós nessa luta. Acesse o QR code e fique por dentro: https://www.facebook.com/groups/393745008554754



(*) Sheila Malta é monlevadense, pós-graduada em Direito e Administradora do Grupo Psicofobiaaquinão!
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