Desde 1984
Erivelton Braz
15 de Outubro de 2021
Insisto: precisamos de um deputado federal

“A pedra é muito forte, mas há um porém, meu bem: a água tanto bate até que fura”. O que os versos do excelente samba “Camarão que Dorme a Onda Leva”, do grande Zeca Pagodinho, têm a ver com o tema desta coluna? É que já abordei esse tema diversas vezes e continuo na toada: é mais que urgente a necessidade da região do Médio Piracicaba eleger deputados federais para defender os interesses e pautas em Brasília. E falta menos de um ano para as próximas eleições. 

Somos uma das regiões mais prósperas do estado. Aqui é o berço da Vale. Aqui, abrigamos a Usina de Monlevade, uma das mais importantes da gigante do aço ArcelorMittal, só para citar a mineração e siderurgia, dois segmentos motores da economia brasileira. Além disso, temos uma economia mista, com forte cultura empreendedora em diversas áreas e produção do agronegócio pulsante.

Por isso, não podemos mais ficar sem representação política onde as principais decisões do país são tomadas. Mas por que há décadas não conseguimos eleger políticos que tenham a base na região?

Um dos motivos é a falta de uma política de coalização, em torno de um nome que seja capaz de se tornar esse representante. Sem a efetiva união de forças, em torno de um projeto, a região ficará desprestigiada. É o que já foi dito outras vezes: em vez de protagonista, a região funciona como abrigo de políticos paraquedistas, que financiam bases eleitorais por aqui e que aparecem somente no período eleitoral. Entre uma eleição e outra, liberam recursos (bem-vindos, por sinal), mas é só. 

Para se ter ideia, em 2021, um parlamentar federal teve em mãos, R$16,3 milhões em emendas individuais para distribuir em até 25 sugestões de execução obrigatória pela União. É muito recurso que poderia vir para as 17 cidades do Médio Piracicaba se tivéssemos apenas um deputado federal.

O Estado de Minas Gerais possui 53 cadeiras na Câmara dos Deputados. Dessas, nenhuma é ocupada por um representante das cidades da região. O Médio Piracicaba tem cerca de 400 mil eleitores e poderia eleger até mais de um deputado federal, dependendo da legenda de cada um desses. 

É preciso pensar nisso e os candidatos a deputado federal que querem disputar as eleições de 2022, que não estão em pré-campanha, já estão atrasados. Antes de decidir se vão disputar o pleito, seria fundamental essa busca por apoio de prefeitos, vereadores e lideranças de todas as cidades. Além disso, era fundamental que associações, entidades, grupos e demais conglomerados, buscassem a efetiva união em torno de nomes. Quem não está atrás desse apoio, tem perdido tempo e tempo em política é voto.

Repito: falta menos de um ano para as eleições do ano que vem. Vamos deixar passar, mais uma vez, a oportunidade de eleger representantes da região para a Câmara Federal? Vamos perder a chance de termos um nome que brigue pelos interesses regionais e que busque por melhorias para as cidades? Quatro anos demoram muito a passar. Por que não elegermos mais deputados federais para o Médio Piracicaba? É hora de pensar num futuro mais próspero e com efetiva representatividade para todos. Defendo essa pauta e vou continuar insistindo: a água um dia fura a pedra. 


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação