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Geral
sexta-feira, 13 de abril de 2012

Antônio Gonçalves é parte da história construída pelo A Notícia

Edição número 1 do jornal A Notícia trouxe entrevista com o ex-prefeito Antônio Gonçalves que falava sobre sua saída do diretório do PMDB. Foto: Reprodução Justamente em uma sexta-feira 13, em abril de 1984, era publicada a edição número 1 do jornal A Notícia. Nascia em Monlevade um veículo de comunicação com o compromisso de dar voz aos cidadãos e trazer para a seara da sociedade debates sobre a vida política e social dos seus personagens, além dos bastidores. Polêmico de nascimento, também nessa edição, o jornal trazia a chamada de capa “Diretório do PMDB faz mais politicagem do que política”, onde o ex-prefeito Antônio Gonçalves falava sobre o motivo de sua saída do diretório.
Apontado como um dos melhores administradores do município, o sempre professor Antônio Gonçalves, que estimulou o desenvolvimento do ensino, afirmava que os membros do diretório do PMDB teriam optado por tirar “proveitos pessoais”, coisa que ele não admitia. Como ele mesmo dizia, aquela não era a forma correta de se fazer política. Naquela época, ele tinha 52 anos.
Com um histórico de vida pública que passa pela história construída ao longo dos anos pelo A Notícia, Antônio Gonçalves volta a ser destaque em nossas páginas o ex-prefeito, que completa 80 anos no próximo dia 21, nos conta - em entrevista exclusiva - sobre o que mudou na política feita pelo seu partido desde então e o que espera para o futuro de João Monlevade.
 
A Notícia: Naquela época o senhor não aprovava a forma de se fazer política adotada pelo diretório do seu partido. E hoje, o diretório do atual PMDB e os demais políticos de Monlevade evoluíram, em sua opinião, na forma de trabalhar para o município?
Antônio Gonçalves: Hoje o diretório do PMDB está bem dirigido pela Dorinha Machado (atual presidente), uma vereadora bastante atuante e carismática. É o diretório político que tem hoje o maior número de filiados. Em Monlevade, cada prefeito deu sua contribuição e, penso, com seriedade. É inegável que o atual prefeito Gustavo Prandini (PV) tem sofrido críticas por parte da população e talvez sua juventude pese contra. Gosto de pensar que se o seu pai e meu companheiro político de longa data, o saudoso Alpino, tivesse oportunidade de participar desta empreitada, Gustavo seria mais bem sucedido. O ex-deputado estadual Mauri Torres (PSDB) - atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais - acredito, também deu consideráveis contribuições para a cidade ao longo de seus mandatos.
 
AN: Na época, por não concordar com os rumos do diretório, o senhor se afastou do PMDB. Mas o senhor chegou a mudar de partido?
AG: Na época da entrevista era o meu pensamento, mas isso não aconteceu. Haviam apenas dois partidos e eu não tinha opção e, então, permaneci no diretório.
 
AN: O senhor continua filiado ao PMDB?
AG: Continuo. Meu PMDB é aquele de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Renato Azeredo e Pedro Simon. Mantenho a ideologia do partido. Ainda tenho a mesma linha de pensamento destes ícones da política.
 
AN: Como era a sua relação com o também ex-prefeito peemedebista Germim Loureiro (Bio), já falecido?
AG: Uma relação de boa política. Apesar de sermos do mesmo partido político, tínhamos algumas divergências, mesmo porque chegamos a disputar duas eleições. Sempre o considerei uma pessoa honesta e um aficionado com Monlevade.
 
AN: O senhor confirmava a fama de “pirracento” e faz justiça ao apelido Antônio Pirraça. O senhor ainda é daqueles que “não arreda o pé” quando tira a sua conclusão?
Futuro: Otimista por convicção o eterno professor diz acreditar na força das lideranças políticas da atual Monlevade para reencontrar o caminho do desenvolvimento. Foto: Divulgação AG: Na verdade esta não é a versão correta do apelido. Na minha adolescência, jogava bola e tinha um cabelo abastado. Depois de fazer um corte de cabelo chamado na época de Príncipe Danilo, meu cabelo ficou espetado como o de uma criança pirracenta, diziam meus colegas de bola. Daí (surgiu) o apelido. Mas admito que o apelido veio a calhar.
 
AN: De todas as iniciativas que teve durante os anos em que administrou o município, qual delas o deu mais orgulho?
AG: Tenho orgulho das obras na área da educação, da saúde e tudo mais, mas recebi uma homenagem da (então) primeira dama do Estado, Dona Latife (esposa do governador Francelino Pereira), ladeada de Dom Serafim e outras autoridades, quando fui premiado em 1983 como uma das dez personalidades de Minas Gerais que mais atuaram pela causa do menor. Um reconhecimento do qual me sinto honrado.
 
AN: Nos seus 80 anos, quais são os momentos da vida política que mais trazem boas lembranças?
AG: As inaugurações de obras como a Avenida Wilson Alvarenga e o Posto Médico, cada escola de portas abertas, em suma cada conclusão de uma obra sempre me deixou marcas gratificantes. A visita de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves e Jorge Ferraz, a instalação da Comarca. Na verdade, tenho a mente permeada de ótimas lembranças. Me é difícil destacar apenas algumas. Algo que ressaltaria foi a pressão que sofri, em especial, no primeiro mandato por parte da ditadura militar. Na época, houve uma tentativa de intervenção, mas foi frustrada por não achar qualquer irregularidade. Segundo o capitão Facevi, que liderou a investida, foi a maior tolice que fizeram. Sempre mantive um bom relacionamento administrativo com os governos estadual e federal, dos quais consegui vários benefícios, ainda que fossem oposição em meus dois mandatos.
AN: Como o senhor avalia a história de 28 anos do A Notícia?
AG: O jornal A Notícia tem um papel fundamental nestes 28 anos. O admiro por se manter economicamente equilibrado em meio a uma economia de altos e baixos. O jornal é notório, permaneceu de pé e vem cumprindo bem o seu papel como “quarto poder”. A meu ver é a mídia que mais se destaca em seu meio.
 
AN: Como o senhor visualiza a Monlevade de hoje?
AG: Sou otimista por natureza. Muitas crises surgem e precisam ser administradas com idealismo, boa vontade e competência. Política para mim é isso. A infraestrutura e a economia de Monlevade favorecem seu crescimento. Lideranças políticas comprometidas têm toda condição para executar um ótimo trabalho aqui. A população precisa ver isso acontecer.


"O legado do Pirraça"

Antônio Gonçalves, o Pirraça, iniciou sua carreira como office-boy no extinto Banco Lavoura, aos 12 anos. Com 14, começou a trabalhar na Companhia Siderúrgica Belgo Mineira (atual ArcelorMittal) como ajudante de carpintaria. Foi promovido a carpinteiro, marceneiro e modelador. Após avaliação, foi indicado pela empresa a fazer curso de qualificação no Senai, em Belo Horizonte, para dar aula de tecnologia de marcenaria e desenho de móveis, passando a lecionar essas matérias no Senai de Monlevade. Na mesma instituição, foi professor do curso de Desenho Mecânico por 16 anos. Aposentou-se após 39 anos de serviços na usina, tendo ficado afastado por um período de oito anos, tempo em que atuou como chefe do Executivo Municipal nos mandatos de 1971/1972 e 1977 a 1982. Dentre as obras que compõem o seu legado para a cidade estão: o Centro Educacional; a canalização e construção da avenida Wilson Alvarenga; Policlínica; Escola Doutor Geraldo Parreiras (em parceria com o Estado); Projeto da Emip; Escola Estadual Louis Ensch; Escola Estadual Padre Drehmans; Criação do Conselho Municipal do Bem Estar do Menor; Instalação de Junta de Conciliação Trabalhista (Justiça do Trabalho) e Criação da Fundação Casa de Cultura.
Neste mês de abril, em comemoração ao aniversário da cidade e aos seus 80 anos de idade, Antônio Gonçalves vai receber o título de Honra ao Mérito da Câmara Municipal, homenagem aprovado por unanimidade pelos vereadores. 
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