Variedades
8 de maio de 2015

Curtindo a vida adoidado

Ao completar 90 anos, dona Maria Divina reúne familiares e amigos para comemorar em Caldas Novas



Se num jogo de futebol, a partida termina aos 90, para Maria Divina Frias, a vida ganha mais fôlego aos 90 anos. Com disposição de garota e uma força de vontade de dar inveja a muitos, ela reuniu familiares e amigos, enfrentou quase 750km e mais de 15 horas de viagem de ônibus para curtir a passagem das nove décadas em Caldas Novas (Goiás).
A ideia do passeio foi dela. “Em vez de almoço aqui em casa, eu quero ir para Caldas Novas. Se Deus quiser, vai dar certo e quem quiser vir comigo que venha”, sentenciou em novembro do ano passado.

A vida dela sempre foi de muitas viagens. Nascida em 2 de maio de 1925 na cidade de Dom Silvério, morou em diversas cidades, acompanhando o pai, que arrastava a família para onde tivesse oportunidade de emprego. “Uma vez, quase fomos morar na Bolívia, porque meu pai queria trabalhar lá. Ele vendeu a casa e colocou a família na estrada. Mas, ele desistiu quando ficou sabendo das condições de trabalho que havia por lá”, recorda. Dessa viagem, eles chegaram ao Mato Grosso, mas não concluíram a travessia da fronteira. No regresso, eles trabalharam em Saramenha (Ouro Preto) para conseguir dinheiro para voltar para Dom Silvério.

Aos 19 anos, ela se casou com Alvino Francisco Frias e foi morar em Itabira, onde o marido trabalhava. No entanto, pouco tempo depois, mudou-se para João Monlevade, quando o marido decidiu deixar o emprego na Vale para trabalhar na Usina de Monlevade. Aqui, moraram no bairro Pedreira (onde nasceu a maioria dos 10 filhos) e, depois, na rua Tamoios, na cidade alta. Na década de 1970, mudaram-se para o bairro de Lourdes, onde ela vive até hoje.

Viúva desde 1988, Dona Maria, como é conhecida, nunca desanimou diante das adversidades da vida. Antes de falecer, o marido ficou acamado por 12 anos e ela cuidou dele pessoalmente. “Eu o carregava para tomar sol, dava banhos, preparava e dava a comida dele. Não deixava ninguém cuidar de Alvino”, recorda-se com orgulho. Quando o marido morreu, ela não se deixou abater e continuou com suas atividades domésticas. Além disso, foi uma das primeiras frequentadoras do forró da Associação dos Aposentados e encontrou, na dança, a distração de que precisava. Todos os sábados, por quase 20 anos, ela era vista na pista, onde fez muitos amigos. Atualmente, ela já não é tão assídua ao forró, em virtude de uma artrose no joelho. “Mas assim que melhorar, eu volto”, garante.

Porém, esse pequeno detalhe não a impediu de comemorar a chegada dos 90 anos num complexo de lazer e de desfrutar das piscinas de águas quentes, além da diversão e companhia de três filhos, genro, nora e amigos. Durante as noites, ela participava dos momentos de descontração oferecidos pelo hotel, com bingo, música ao vivo e dança de salão. Com saúde de jovem e taxas controladas, é raro Dona Maria dispensar uma dose de uísque e um bom bate papo. Alegre, ela já enfrentou a depressão e dá dicas para os mais novos: “Essa vida é boa demais para ser estragada com problemas. Por isso, estou curtindo adoidado”, falou. Está mais que certa.