Geral
22 de abril de 2016

Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, encerra atividades

internet/Nemérito José da Silva
ATIVIDADE da mina chega ao fim

A mina Gongo Soco, da Vale, encerra as atividades no próximo dia 29 de abril. A informação é do prefeito de Barão de Cocais, Armando Verdolin Brandão (PDT), que se reuniu com representantes da empresa nesta semana e foi informado da decisão. Segundo o prefeito, 90 funcionários, dos quais 30 são de Barão de Cocais, devem ser dispensados. No entanto, segundo o chefe do Executivo, há expectativa de remanejamento em outras unidades da Vale. A paralisação das atividades causará uma queda drástica na arrecadação municipal,
que poderá chegar, segundo o prefeito, a R$2 milhões, na receita nos próximos dois anos. Além disso, a cidade deixa de arrecadar cerca de R$400 mil nos próximos meses, referentes à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A diminuição no ritmo de operação da mina já era gradativa nos últimos anos. A produção mineral, que era de 6 milhões de toneladas por ano, caiu para cerca de 4 milhões. O Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Mine
rais (Cfem) e o Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) também devem cair, segundo o prefeito. Há dois anos, a Vale iniciou o processo interno para futuro descomissionamento da mina. O encerramento das atividades, segundo informações da empresa, se deve ao esgotamento do ativo no que diz respeito aos padrões operacionais da Vale.

EXPECTATIVAS

Por outro lado, o prefeito Armando Verdolin afirmou que a cidade pode ganhar mais cinco minas, o que vai gerar em
pregos e renda para o município. Segundo Armando, faltam funcionários na Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) para liberar licenças de operação e funcionamento de cinco minas na cidade. “Estamos cobrando a liberação de documentos, mas a burocracia e a falta de mão de obra de técnicos na Supram têm prejudicado a autorização de funcionamento dessas minas, o que seria providencial para o município”, disse o prefeito.

HISTÓRIA DE RIQUEZAS E DECADÊNCIA

A Mina de Gongo Soco presenciou o auge e a decadência da exploração do ouro de aluvião e da mecanização rudimentar da atividade mineradora. No século XIX, viveu seu apogeu, com a mineração aurífera subterrânea, mecanizada e industrializada. Com o declínio do rico mineral, a extração do ouro foi substituída pela do ferro. A história começou quando, em 1824, João Baptista Ferreira de Souza Coutinho, o Barão de Catas Altas, vendeu as terras de Gongo Soco para uma empresa Britânica, a Imperial Brazilian Mining Association – primeira empresa de capital estrangeiro a se instalar em Minas Gerais. Entre os anos de 1826 a 1856, a mina produziu mais de 12 mil quilos de ouro. Em 1856, sua produção, em queda, foi reduzida a apenas 29 quilos, e neste mesmo ano foi abandonada.

RUÍNAS SÃO PATRIMÔNIO LOCAL

O conjunto de ruínas do sítio do Gongo Soco era constituído por dois setores distintos: Setor I, considerado o espaço de trabalho da mina, com seu complexo de estruturas industriais e o Setor II, mais afastado, onde se encontravam as moradias e os equipamentos urbanos que faziam parte da antiga vila. Gongo Soco, segundo o censo, em 1931, possuía 30 casas ao longo de uma extensão de um quilômetro e meio. As edificações eram todas construídas em alvenaria de pedra e barro. Entre as casas ficava o Cemitério dos Ingleses, onde eram enterrados apenas os trabalhadores britânicos. Ali foram encontradas dez lápides com inscrições em inglês e ornamentadas por desenhos apurados. Existem ainda vestígios do que seriam um hospital e duas capelas, sendo uma católica e outra anglicana. A casa do Barão de Catas Altas – informação sem constatação documental – teria aproximadamente 1.000 m² de área construída, supondo apenas um pavimento. Perto do Setor I, há um forno com chaminé de mais ou menos 5,20 m de altura e 0,60 m de boca. Caminhando pela estrada à direita, vê-se um muro de pedra de quase 60 m de comprimento, terminando num portão em arco, erguido presumivelmente para marcar a passagem dos imperadores Dom Pedro I, no ano de 1831, e Dom Pedro II, em 1881. Atualmente, o arco está em ruínas. A origem do nome Gongo Soco é incerta. Segundo uma das versões, quando acontecia roubo na mina, o gongo era tocado, mas ninguém o ouvia. Outra versão diz que um escravo, vindo do Congo, foi encontrado na posição de galinha choca (palavra que teria originado “soco”) cavando escondido um depósito aurífero. As ruínas, tombadas pelo Iepha/MG em 1995, estão localizadas no município de Barão de Cocais e podem ser visitadas pelo público.
Fonte IEPHA