Variedades
16 de janeiro de 2015

A história preservada

A história de João Monlevade em molduras. Era esse importante material que a empresária Janine Prandini, ex-proprietária da Livraria e Papelaria Kennedy, guardava carinhosamente como um rico acervo de fotografias históricas da cidade herdadas do pai, o empresário e desportista José Prandini, o popular Nino, falecido em 2013.

E, nesta semana, numa grata surpresa, Janine resolveu doar os 21 quadros ao jornal A Notícia. “Uma época meu pai encheu a parede da sala de fotos antigas de Monlevade, emolduradas. Acho que a dor daqueles dias fez nascer nele saudades de tempos mais leves. O que sei é que são do Mestre Diló e são registros lindos, que merecem um outro lugar, onde mais pessoas os vejam, conheçam, reconheçam e se emocionem”, diz Janine.

As fotos, todas em preto e branco e emolduradas, contam um pouco da história de João Monlevade em tempos áureos. As imagens são das décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960 e retratam a Praça do Cinema, o antigo Colégio, as ruas Tamoios e Siderúrgica, a avenida Getúlio Vargas, o Solar Monlevade, o clube Grêmio, o antigo bar do Bio, flagrantes do desaterro para a construção da usina, do funeral do engenheiro Louis Ensch e da construção da Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Carneirinhos e a Igreja Matriz São José.

Muitas dessas fotos já decoram espaços públicos e comércios da cidade, como a Câmara Municipal, o Hiper Comercial Monlevade e o restaurante Búfalo Bill, que, inclusive, é retratado em foto de 1942, quando ainda se chamava “Irmãos Loureiro”.

Contrastes



As fotos eram cuidadosamente guardadas por Nino Prandini e registram os tempos em que Monlevade estava em construção, contrastando com os tempos atuais, de desenvolvimento, crescimento urbano, predomínio de grandes prédios, comércio cada vez mais movimentado e trânsito caótico.

São fotografias que mostram o início de uma rica história, com a construção de importantes símbolos para o município, como a usina siderúrgica, igrejas e clubes, numa época em que Monlevade era apenas um distrito do município de Rio Piracicaba.

Para o editor do jornal A Notícia, Erivelton Braz, a importância de se preservar a memória da cidade está no fato de nos dar a oportunidade de conhecer a origem do município. “É muito interessante termos a dimensão do que era e o que é hoje, isso nos mostra o tanto que a cidade evoluiu e cresceu em pouco mais de 50 anos”, destaca.

Já a diretora geral, Maria Cecília Passos, ressalta que receber os quadros foi uma homenagem e um presente especial nestes 50 anos de João Monlevade. “Fiquei muito feliz, até porque sei do valor afetivo da obras. Meu pai (Márcio Passos, fundador do A Notícia) e Nino eram bons amigos e ele foi até colunista no jornal. Com certeza, os quadros serão muito bem aproveitados na sede do A Notícia”, enfatizou.