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20 de dezembro de 2014
Servindo a história de Monlevade
Artur Gomes de Araújo Filho, 88, mais conhecido como Zinho Glostora, natural de Alvinópolis, chegou a João Monlevade no início dos anos 40. Foi carregador de malas, porteiro, torneiro mecânico, até jogador de futebol, mas foi como garçom, aos 18 anos, que descobriu a verdadeira vocação e passou a colecionar histórias e memórias.
Seu apelido é da época em que jogava como lateral-direito do Belgo-Minas. Pela baixa estatura, era chamado de “Arturzinho”. Jogava sempre de forma impecável e mantinha um topete no cabelo, moldado pelo gel Glostora. Juntaram-se então as peças e o “Arturzinho” virou Zinho e, posteriormente, foi batizado de “Zinho Glostora”.

Ao chegar na cidade, ainda garoto, virou carregador de malas, principalmente, dos engenheiros que chegavam para participar de importantes reuniões sobre a antiga Belgo Mineira. “Era carregador e acabei fazendo amizade com um engenheiro que fazia questão que somente eu carregasse a sua bagagem. Em 1941, pensei que estava perdendo tempo. Então, pedi a ele um trabalho na usina. Foi eu falar e no outro dia me chamaram para trabalhar na Belgo”, disse Zinho.

Glostora então se tornou torneiro mecânico, porém, sem abdicar de suas origens, acabou se tornando garçom nas horas vagas. Sempre que havia algum evento no Cassino, era chamado para recepcionar os seletos convidados. Nomes como os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, o príncipe Jean de Luxem-burgo, o governador de Minas, Eduardo Azeredo, os engenheiros Albert Scharlé e Louis Ensch, dão a dimensão da tamanha confiança dada a Zinho. Ao lado dos também garçons Agostinho Martins e Messias, Zinho era convocado para servir em outras cidades. “O Dr. Louis Ensch era muito cordial. Quando vinha para o Solar Monlevade, servíamos ele lá. Era uma pessoa espetacular. Sempre conversava e interagia. Fazia muita questão da gente”. disse.

Zinho se aposentou da Belgo-Mineira em 1972. Porém, não largou a profissão de garçom. Até hoje, quando chamado, veste-se a rigor e trabalha com prazer e disposição. “Devido à idade eu não carrego aquelas bandejas pesadas, porém, busco orientar os outros garçons, ver como estão os convidados, se estão bem servidos e, se necessário, levo o que precisam”, afirma.

Artur carrega muitas histórias e fica feliz por ser lembrado como personalidade da história monlevadense. “Fiz muitas amizades ao longo da vida e gosto muito disso”, afirma. Zinho Glostora foi casado e teve 9 filhos. Está sempre cercado da família e de amigos. “A gente aprende a ser cordial e elegante. Tratar bem as pessoas é o princípio para também ser bem tratado. E é isso que eu levo hoje. Tenho amigos, família e bastante história”, declarou o simpático Zinho Glostora. Servidos?
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